pra quem é que cê corre quando o dia arde?
intensidade
tem o poder de me sufocar até a morte
e de me levar à liberdade ardente
eu vejo as coisas escondidas no escuro
ouço vozes no mais profundo silêncio
sinto tudo no vazio
gostaria que minhas mãos pudessem segurar a intensidade dentro de mim, pudessem afagar meus sentimentos e pedir pra se acalmarem
queria que meu coração não sentisse tanto mas também não queria não sentir nada
queria colocar o pé na porta de entrada e impedir que essa enxurrada de sensações viessem de uma só vez
me afogando novamente dentro de todas as dúvidas que rondam minha mente
eu me aproximaria de um mar tão violento?
você aí, você mesmo, se apaixonaria por algo assim?
Heather Havrilesky, Ask Polly: Help, I’m The Loneliest Person In The World!
eu não quero me diminuir pra caber nas suas expectativas sobre mim
não quero me diminuir até não ser nada além da sua sombra e não sobrar nada da minha integridade
não quero diminuir minha voz até que ela seja esquecida
não quero mais me esconder atrás das suas palavras certas enquanto eu sou apenas errada e pessoas erradas apenas ouvem, se calam e pedem desculpas
não quero sentir meu peito apertar a cada vez que tento ser eu mesma ao seu redor
eu cansei
do fundo do meu coração
eu cansei de me diminuir apenas pra que continue aqui
não quero esquecer de mim e se pra isso eu precisar esquecer de nós
eu vou
eu não quero sentir medo e meu peito carregado toda vez que eu respiro
eu não quero apenas palavras, quero que me mostre que não vai me largar às 23h da noite de uma sexta pois percebeu que não somos o que queria e que minha mente é bagunçada demais pra que perca seu tempo tentando desvendar, tentando encaixar as partes do quebra-cabeças. quero que me diga que me ama, que quer meu colo quando estamos longe, que olhe nos meus olhos e me prometa que ainda me quer, que não vai ir embora pois eu tô cansada de despedidas, de me sentir sozinha e insuficiente pra todos. só me mostra que quer permanecer.
queria te contar sobre o sonho que tive
sobre crianças correndo por um quintal gigante de uma casa linda
com móveis de madeira e cheiro de grama molhada
queria te contar sobre ouvir os batimentos do teu coração enquanto deitadas na varanda ouvindo risadas e sorrindo por um futuro que deu certo
te contar sobre ter passado um longo dia pensando em nós, em tudo que podemos ser e em tudo que quero ser do seu lado
te contar sobre como meu peito aperta quando minha mente me convence de que não serei eu a pessoa ouvindo teus batimentos ou varrendo nosso quintal ás 9 da manhã de um sábado enquanto escutamos músicas da nossa adolescência
com cheiro de café vindo da cozinha, as crianças pedindo por mais um pedaço de bolo e com sorrisos de orelha a orelha por ter ouvido um sim
eu sinto muito se não for eu, se não formos nós
eu continuo sonhando